quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Amor



O que é o amor?

O amor é fácil
É como a luz do dia, surge naturalmente
Como o sol que penetra na montanha
Como a água que banha as pedras
Hoje quando acordei, vi as cores do dia
Um dia que acordou esmaecido
De humor indefinido...............
Ao dar bom dia ao dia, falei de “você” amor.
Ele riu e o sol logo pode entrar
A chuva fértil também veio ouvir
Só de curiosidade!
Invadindo o sol, e rindo da gente
O vento que tomava o café com o verde da montanha
Passou de leve para saber dos fatos
Aos poucos os cães vieram também
Então comecei a falar do amor
Como ele é grande, esmaecido
Colorido, calorento, fresco
Sonhador, pede sempre para entrar
Em todas as casas, em todos os corações
Bem não é sempre que ele consegue.......
Mas fica sempre tentando
Ele tenta convencer a angústia
O medo........... a dor e a saudade.
Mas estes sempre se fecham.
Mas o amor também tem seus grandes sucessos
Ele fez brilhar.......
Os sentimentos guardados, a alegria, o riso......
A felicidade.
O amor tem muitos êxitos, ele é voraz
Por vezes forte, causa tonteira...
Causa tesão, este quando esta em companhia do amor.....
Formam uma dupla imbatível
Para se enfrentar todos os obstáculos
A natureza ficou ali, ouvindo minhas estórias
E disseram que todo mundo conhecia o amor
Só não sabia que ele era tão parecido com eles
Só não sabia que eles eram amor também.
Quando o amor chegou, foi uma festa.
Até porque ele não veio só
Trouxe sua grande família.
Amor de pai, mãe, avó e amigo
Amor de bicho, de criança
Amor de amizade, de brinquedo favorito
Amor de livro, Amor de troca
Amor carnal, amor espiritual
Amor emocional, amor de cozinhar
Amor de brincadeira no quintal
Amor de verão, de profissão
De marido, de mulher, de filho,
Todo tipo de amor estava lá
Descobrimos juntos então
Que ele não é só “gente”
Ele é o que move o mundo.


Ramona Torres

Rromhá Contemporânea

Noite, madrugada alta, cores da lua, cheiro de mato. Ah! Romhá Chavalé! Dia de fogueira, na capoeira do bambuzal de vovó, a mesa de cavalete é armada, bancos de madeira inteira, cantoria, cheiros de flor da noite, pé de louro, rosa branca, e goiabeiras molhadas invadem o ar. Lá em cima do grande galho do pé de abacate, sentam as crianças a rir, e a falar. A toalha branca é posta, o vinho de vovô é trazido no barril de madeira, feito no barracão de ferramentas. Iemanjá, Santa Rita, Nossa Senhora Conceição e Virgem Sara, no pequeno altar olham altivas tudo que acontece. A cachorra Lessa (vovó queria implicar com o vizinho, é o nome dele) fica por ali, onde o movimento acontece. As mulheres riem, bordam (é o quintal das bordadeiras), cozinham. Pratos de Iakna, sarmi, zujemia, pafeitos ki brinza, mamoul, serdanhi, vão fumegantes à mesa. O suco de maracujá é distribuído para a criançada com muito açúcar. Os homens fumam e ouvem o radinho de pilha (orgulho de vovô), discutem futebol, trabalho, riem baixinho falando das donas. Donas da casa de luz vermelha, que dão doces no dia de São Cosme e São Damião. Minha mãe diz que não prestam, mas penso o contrário, porque na varanda tem uma estátua de São Jorge, igual a lá de casa, logo elas não podem ser gente má. Vejo neste momento as cores, como papai é bonito, mamãe esta linda! Agora o vestido que minha tia me deu, aquele laranja que era dela, é o mais bonito, acredito eu (vaidade de criança). Os meninos quase todos vestem cores fechadas (marinho, verde musgo, vinho, e branco), mas nós pequenas romies, ao contrário, os laranjas, pinks, amarelos, vermelhos, azuis, verde brilhoso e as que são meninas moças, o dourado. Terezinha canta, puxa música, o coro começa, a dança começa, os cheiros se fundem. A gente dança e brinca. Estas são minhas lembranças de menina. Hoje fiquei muito triste, por que fui na capoeira, aliás como dizia vovô, no átrio, e vi tudo parado. Havia anos que eu me recusava ir lá. As lembranças são muitas. Descobertas, boas e más. Descobrir alegria, beijo roubado, coração batendo forte. Descobrir que as pessoas morrem, como é triste morrer, quando se é criança, é muito mais intenso. Não há entendimento. O velório na mesa de carvalho, o adeus, cheiro de flor e vela, ou como diz meu irmão “cheiro de defunto”. Em tantos anos, não pensei nisto, a vida é dinâmica, mas quando entrei lá, vi o barracão, o altar, a Virgem e Iemanjá descoradas, chorei, chorei por tudo. Agora que estou meio de pilequinho, na noite quente, penso melhor, são lembranças boas. Eu ri, de papai caindo de rir, ninguém sabia de que, mas todos riram, até nós, embriagados de maracujá. Que felicidade de ter passado por tudo, é para agradecer papai do céu. A vida é assim mesmo, todo mundo tem lembranças. A romhá de hoje mora em casa e apartamento, não há mais quintais, nem fogueiras, nem dormir na lua e no vento, nem acordar com o chuvisco ou goiaba caindo em cima. É são coisas do mundo, da vida, são saudades de minha raiz. Ah! Romhá Chavalé! Ah! Baile Gitano, que saudades dos Bródios. Bom deve ser assim para todo mundo. Então veja bem, é difícil que não se sinta menos cigano neste mundo, tenho muita saudade dos tempos em que a Rromhá era mais leve e mais receptiva. Hoje o mundo dinâmico não presta muita atenção no que podemos ter de fundamento, é só carro, dinheiro, luxo, é triste este distanciamento. Quando nasci já era assim, um tempo em mutação, e veja que já se foram 30 e uns anos atrás. A Rromhá daquele tempo se alinhava, se juntava, não viviam só. Mesmo sedentarizada era uma grande kumpania de pedra e areia. Nos meus tempos de criança, a rromhá cheirava a alfazema e mirra. A casa/kumpania de vovó era muito bonita. O quintal que varri muitas vezes em companhia de vovô ficava na frente, onde o plantio de frutas e plantas se fazia exuberante. A babosa, o louro, a goiabeira vermelha, a bába de boi, a flor da noite, e a roseira ficavam namorando a lua e a gente. Nas festas de bródios, ou de moças (15 anos), a alegria era geral, os anos novos passados na calçada, a árvore da entrada do portão de madeira. O quintalão, o bambuzal.......... A gente corria e brincava, os primeiros sonhos, as primeiras confidências, o primeiro beijo esta lá guardado em alguma madeira do barracão. O barracão, o altar de Sara e Iemanjá, o chão de terra, a cama dura, onde dormi tantas vezes com minha tia ainda djulli. O quarto de costura, a máquina de forrar botão. Mas lá nos fundos é que esta adormecida a alma cigana. Da mesa grande de cavalete, das cadeiras dos adultos, do vinho feito em casa. De rabanada de natal. De banheiro que liga de lado de fora, de onde escutava vovó cantando, e sentia o cheiro das cocadinhas que ela fazia. Festa boa que cansava, cama marquesa para cigano que dormia no chão, sofá de mola pro cachorro. Casa em obra, começo de consolidação de novos rumos para rromhá. Namorar, morar fora, viajar, cd, net, vídeo, tanta novidade. A rromhá fica sem chão. Sem parâmetro. Abandona Cosme e Damião, Slava de Sara, Nossa Senhora, medo de agosto, usa carro, trabalho de gadjô, as shuvanis não entregam o metal, nem tiram o sapato do marido, filho responde mãe. É sinal do tempos. A Rromhá de hoje mora em casa e apartamento, usa celular, e-mail, anda de calça comprida, de jeans.
Sei que fazemos o melhor, mais as vezes é estranho, é difícil, dá uma saudade tão grande, do que vivemos. Primos irmãos. Sonhos de família sempre. Quero ficar velha e só com minhas lembranças, não como hoje, mais posso colocar tudo na net. Tempos bons (bons?), de liberdade, (liberdade?), de poder fazer tudo que se quer (tudo que se quer?) Quero ser cigana, quero dormir de kumpania, embaixo das estrelas, do céu, na areia do mar, na grama, nos dias de vento e sol, que só os ciganos saem apreciar.

A Arte da Tatuagem na Vida do Povo Cigano


A História da Tatuagem é muito mais antiga do que muitos pensam, por ter tido origem no Antigo Egito, onde teria sido um dos locais, que trouxe grande influencia para a diáspora dos ciganos pelo mundo. O povo Romani, que é um povo marcante e diferente, e aderiu, desde os primórdios o uso da arte de marcar a pele com cores, símbolos, desenhos, utilizando seus próprios simbolismos (sol, lua, estrelas, pirâmides, etc...), de forma que eles passaram a ganhar ainda mais força dentro da egrégora mística da raça de nômades. Sendo um Povo, que tem suas próprias expressões, ao viajar pelo mundo, ganhando bagagem cultural, sem esquecer suas raízes (Indianas), desenvolveu formas muito características, para a utilização da arte. A partir da necessidade de sustento, por vezes até para grandes caravanas que se deslocavam pelo mundo, muitos ciganos aprenderam a Arte da Tatuagem se tornando grandes tatuadores. Mas era ainda nestes tempos, a Tatuagem marginalizada, feita com técnicas muito primárias e dolorosas. Porém o reconhecimento pela Arte de marcar a pele, ganharia expressão na mão dos ciganos, por sua sempre primeira opção de vida: O Circo. Na vida circense, artistas, domadores de cavalo, bailarinas, conheceram e adotaram esta pratica tão comuns aos roms. Tatuavam nomes, amores, certezas, símbolos de boa sorte e assim os gitanos divulgavam a arte que “tomaram” emprestado. As pessoas que viviam em torno dos romanis (igualmente viajantes), aderiram principalmente aos símbolos de boa sorte, nomes de Clãs e expressões do poder divino. Dentre estas pessoas, destaca-se por algumas atividades, por serem exercidas também pelos romanis, e que consagrou a Arte da Tatuagem, como forma própria de encarar a vida. São eles os Marinheiros, Domadores de Cavalos, Comerciantes de Ouro, Artistas e Místicos em geral.
Os Romanis, passaram também a tatuar o nome da Natsya (Família) a qual pertenciam, como forma de identificação e proteção. Apesar de haver nestes tempos, muitos preconceitos, muitos ciganos por dominar esta arte, eram convidados a estar junto aos nobres e ricos da época, trabalhando também para gente do povo, nas praças e ruas das grandes cidades. A ornamentação da pele, ganharia assim cada vez mais adeptos entre os ciganos e os simpatizantes da cultura: “Os Ciganos de Alma”. Usando seus próprios simbolismos, o povo romani acredita que uma vez escrito (marcado) na pele, o sinal deixa o corpo imantado, então passaram tatuar quem desejasse, era (é), só escolher o símbolo devido correspondente para a imantação desejada.
Os primeiros simbolismos utilizados para se tatuar os não ciganos, foram os signos ciganos (Punhal, Coroa, Candeias, Roda, Estrela, Sino, Moeda, Adaga, Machado, Ferradura, Taça, Capelas), depois as amadas moedas, que são ícones entre os talismãs, acreditam que ganham mais força prospera se imantada (tatuada) na pele, pela força de ser símbolo do poder material, e da capacidade de realização de riqueza em qualquer sentido, espiritual ou material.
Assim foi crescendo o uso desenhado de outros talismãs (Cruz Ansata -Geralmente usada por Kalons por ser um símbolo Egípcio, que trás criatividade, poder e abundância – Peixe - Só pode ser usado por homens, para que nunca falte dinheiro e coragem, Coruja – é o animal que esta sempre alerta e nos faz assim também, além de nos favorecer com a capacidade de perceber tudo a nossa volta, Punhal- É um talismã muito usado - corta totalmente as forças negativas, Ferradura - Atrai sorte, positividade e energias como o poder de superação - Estrela de cinco pontas - Símbolo cigano, as pontas representam os cinco sentidos do homem, favorece os feiticeiros, magos e estudiosos de magia, Gato - Este é o símbolo da prudência e paciência – Sino - é capaz de “tocar dentro de nós” para avisar o que vai acontecer, assim podemos nos preparar melhor. Coração - Símbolo que trás amor infinito e puro e Chave - Para abrir as portas dos nossos sonhos e planos, resolução de problemas). Os Símbolos das Cartas tanto Ciganas quanto de Minorarcana (Baralho comum- de pôquer) são também usadas. Hoje com o acompanhamento da dinâmica do mundo, as mulheres podem se tatuar (antigamente somente os homens podiam, principalmente os desenhos de ciganas e bailarinas) e também lembrando as raízes ciganas indianas, tatuam os pés para festa, braços, seios e costas com Henna. Muitos romanis mantém a preferência pelos nomes dos Clãs (Rom – Kalderasth, Louvara, Rudari, Boyasha, Bashilé, etc........ ou Kalon – Manuchi, ou até Monisha – mulher prometida) ou Protetores Espirituais (Madalena, Carmem, Esmeralda, Sulamita, Natasha, Yasmim, Manolo, Wladimir, Sandro, Juan, Artemio, Ramiro, Celina, Pablo, Salomé, Tizibor, Paloma, Zaíra, Carmencita, Iago, Ramur, Íris, Ísis, Hiago, Katiana Natasha, Pedrovik, Sâmara, Ilarim, Katrina, Melani, Leoni, Wlavira, Ariana, Boris, Mirro, Nazira, Raphael, Tamíris, Guadalupe e muitos outros), assim como a Bandeira Cigana, são utilizados por ambos os sexos.

“Magias e Mistérios do Povo Cigano”

Quando abordamos os segredos das magias do Povo Cigano, muito se diz, das Entidades, dos Mestres, dos Ciganos Astrais, numa liturgia colorida, intrínseca e abrangente. Mas nós Povo Cigano, ainda encarnados, temos as nossas magias em conjunção com os mistérios espirituais, para diversos casos. Pois muitos, apesar de cultuarem fielmente, e de trabalharem espiritualmente pela caridade, pôr não terem um embasamento próprio dos ciganos, acabam muitas vezes caindo num lugar comum: “Ajudo a tantos, mas não sei me defender das forças maléficas, não sei ajudar a mim mesma.....”. E quem já não ouviu de alguém esta frase? Mesmo que o interlocutor seja um dedicado trabalhador das forças astrais? Todos nós já ouvimos e até mesmo alguns de nós, já pronunciamos. E porque isto acontece? Porque a Magia (todos os tipos), a Espiritualidade (de todas as formas), e os mistérios, são um aprendizado continuo. É um sentar no banco escolar da espiritualidade, sem esmorecimento. Quando abordamos uma cultura sem um codificador, fica ainda mais difícil. E o trabalho é duplicado, necessita-se de estar sempre em pratica, trabalhando elementos da magia, protegendo-se, discernindo, se familiarizando ainda mais com os segredos do povo das estradas. Afinal, nós como povo, somos misteriosos, não só por fora, mas principalmente por dentro, afinal você já entrou na casa de um cigano? Sabe para que serve aquela terra no jarro em cima da pia da cozinha? Isto são segredos das ciganas, assim como o que guardam em suas cestas de magia, afinal, para que tantas sementes? Como eles identificam as formas sutis? Como nós interagimos com os elementos? Estes questionamentos são formas individuais de uma parte da cultura não revelada ainda aos que são Ciganos de Alma.
Porque? Hão de perguntar, porque toda nossa vida esta permeada de religiosidade, em todos os momentos. Os ciganos tem características tão próprias quanto secretas. E mesmo quando parte de nosso povo acompanha, a dinâmica do mundo, se sedentarizando, isso não nos faz, deixar nossos ritos de lado, e assim eles permanecem em toda nossa estrutura de viver. Os costumes, os rituais, o acompanhamento das mudanças de estação, assim como a influencia da lua, dita muitas das decisões tomadas na casa de um cigano. O povo cigano é admirador e conhecedor da força feminina, que é capaz de muitas magias. As ciganas seguindo esta linha de religiosidade tem muitos segredos só delas. Isto é demonstrado na força que elas tiram das ditas “fraquezas” de seu próprio corpo. Pois as ciganas tem força de magia, mesmo quando parecem que estão fazendo a tarefa mais simples (comida – alquimia dos alimentos) e as fazem sem alarde, simplesmente, fazem. Para uma cigana, sua menstruação, seu sexo, sua fertilidade, seus cabelos são a sua força mágica, da onde ela tira muitas benesses para os seus que estes nem sabem. O Povo Cigano é assim, prospero, bonito, sabe que através de todos os seus gestos, contem uma condução de forças espirituais, que pelas palavras que proferem, podem trazem ou fazer o bem ou o mal a si mesmos. Por isso conduzem bem sua magia para socorrer gente sofrida. Nós, ciganos nos valemos da sabedoria, dos mistérios das artes, de nossa forte estrutura, de nossa intuição, observação e psicologia, para receber estes irmãos com um ensinamento puro sobre a nossa cultura e nossa vida. Você que busca entendimento com o mundo espiritual para atenuar as dores, e trazer alento aos necessitados, saiba que primeiro haverá de conhecer esta magia e aprender, para se preparar dignamente para o trabalho astral, podendo desvendar os meandros mais simples, do dia a dia em caráter fidedigno, os meandros na manipulação da Magia Cigana. Os segredos perpetuados hoje, se faz livre de perseguições. Então, você “Cigano de Alma” pode se beneficiar usando o conhecimento, abrindo seus caminhos para uma espiritualidade, rica, colorida, mas que acima de tudo, descansa carregando pedra.

terça-feira, 1 de julho de 2008

O Plano Astral dos Mestres Ciganos Espirituais



O plano dos espíritos não pode ser generalizado em nenhum momento, ainda mais se tratando de espíritos ciganos, que a exemplo de sua vivência terrena, tem a sua própria linha de trabalho. Muitos ciganos, sejam de alma ou não, se interessam pelo mundo espiritual dos Mestres Ciganos, chegando estes a estarem presentes em muitos cultos de outras raízes no único intuito de trabalhar e ajudar os irmãos em sua jornada terrena, sendo irmãos de raça ou não. O culto a estes espíritos tão queridos vem ganhando espaço, em toda a sociedade gadjó, a medida que a cultura cigana vem sendo mostrada sem reservas, nas suas mais variadas formas de expressão, como dança, oraculos, música, literatura e principalmente a literatura dos seus rituais mágicos, assim a proteção comprovada destes mentores se faz presente cada dia mais forte entre nós.
No espiritualismo em geral, existe uma dificuldade em algumas religiões que não tem um codificador, e na vida espiritual dos ciganos, não é diferente. Muito se fala, se diz e se escreve, muito médium de alta classificação estão entre os divulgadores mais conscienciosos desta cultura, e com a abertura que nos permite a era de aquário, estes mestres estão podendo estar cada vez mais perto de nós, e tem todo seu trabalho um pouco mais facilitado, conseguindo penetrar neste mundo complexo e misterioso que é o mundo espiritual dos ciganos.
Este movimento religioso e místico que tem representações nas mais altas esferas espirituais é difundido e aceito com amor pelas multidões que se apóia nesta força para enfrentar as intempéries da vida. Mesmo assim ainda é preciso que se tenha maior entendimento para estar atraindo para si, a boa energia destes amigos astrais. Ao tomar conhecimento de uma das estruturas existentes no plano astral (possivelmente uma das mais conhecidas), poderemos receber melhor em nossa Tsara (digo casa, terreiro, barracão, sessão, enfim o lugar que for destinado ao encontro dos espíritos) esta instituição astral de renome e capacidade comprovada. Assim poderemos ter como colaboradores valiosos os amigos do Clã Espiritual Cigano, conhecidos como os Mestres Ciganos de Luz, e ao falar neste Clã, uma pergunta é imediatamente feita: Quem são???!!
São espíritos ciganos que viveram entre nós em outros tempos, que ainda em sua vida terrena, já eram mestres, de grande entendimento sobre o mundo espiritual. Já buscavam luz como forma de atenuar os problemas de ordem física, moral e astral. Fazendo desta forma um trabalho que emana amor, e agrega outros espíritos que vibrem em sintonia com o etérico deles. Este trabalho é liderado por doze espíritos, e cada um tem uma “equipe astral”, que fazem parte desta grande corrente, que dá assistência sem distinção de credos, nacionalidades, grupos ou qualquer outra coisa que seja. A influência destes espíritos em distintos setores de nossa vida terrena e espiritual, é permitido por Devel, e conforme o problema que passamos podemos evocar o Mestre de domínio sobre o assunto. A Pátria de Todos é a Pátria de Luz e Afinidades Espirituais. A Pátria Espiritual de Luz é muito mais intensa, que a que conhecemos na cultura dos ciganos que ainda vivem nesta nossa dimensão de aprendizado, cito isto porque os ciganos encarnados, tem como célula mater a sua própria pátria Romhá. A pátria espiritual é muito mais complexa porque estes mestres, tem capacidade e permissão de volitar entre as mais diferentes camadas espirituais, desde as zonas umbralinas até mais alto patamar das energias sublimadas, sendo assim grandes mestres, que trabalham e agregam os mais diferentes tipos de espíritos em suas legiões, guiando-se pela afinidade espiritual, e o desejo de voltar-se sempre para ministrar ensinamentos rômani que venham a ser auxílio de todos que buscam Luz. Independente destes ensinamentos estarem sendo conhecidos através de espíritos que estejam na Aura de Ciganos ou mesmo de Gadjés, contanto que estes estejam utilizando todos os recursos que através dos anos estes amigos astrais, tem ofertado para amenizar as dores, seguindo os ensinamentos mais puros, que traduz a essência da vida cigana: “viver e deixar viver”. Os Irmãos do Sol e da Lua, utilizam as forças naturais para fazer suas Magias, se movendo pelo mundo ajudando ciganos e gadjós, compartilhando seu sempre farto manancial mágico. Os filhos dos ventos e das estrelas acreditam nesta era mais rica e espiritualizada, era de esperança de entendimento entre os homens.

Os Ciganos e seus Rituais Magicos


Para nós ciganos; temos em cada Clã vários rituais, que coincidem com rituais de outros clãs, cito dois rituais que são comuns a todos os clãs e o último que atravessa o tempo ensinado pelo cigano Torres, um Calon mestre na magia de fazer incensos. Um dos rituais mais sérios, e feito cuidadosamente, é o que garante a continuação de nosso Povo: O nascimento. O cuidado com o nascimento começa quando a cigana engravida, cabendo as velhas ciganas, as magias, massagens de óleo, garrafadas, orações e ervas para que a mãetenha uma boa hora acompanhada dos ancestrais, a criança nasça bonitae também a mãe fique bela após o parto.Os cuidados são intensos, grávidas não trabalham com magia, não podemver coisas feias, não sabem de notícias ruins, e comem primeiro amelhor comida. Quando o neném nasce, o ritual do primeiro banho é esperado epreparado com ansiedade, chama-se o Banho de Prosperidade. O banho érealizado depois do banho de higiene normal, o bebê é colocado emoutra banheira de água limpa, onde são colocadas pétalas de rosasbrancas, jóias de ouro em grande número e gotas de mel. Enquanto obebê é banhado pela mãe, as outras mulheres rezam orações para SantaSara e diversas outras para que o banho tenha o efeito desejado. Apóso banho todos se recolhem em oração enquanto a mãe descansa do parto,ao acordar terá uma festa, onde se reúnem em energia positiva mais umavez para desejar uma vida doce ao bebê. Os significados dos elementos são: Água pura, para uma vida transparente, purificada e rica desaúde. Jóias - o bebê apanha energia do ouro e isto faz com que ele seja feliz financeiramente. Pétalas de rosa branca – para que tenha vida perfumada, bem sucedida em tudo e no amor, tendo vida de muita paz.Gotas de mel – energia doce é transmita ao bebê, para que sua vidaseja doce, livre de sofrimentos e que o mesmo seja uma pessoa doce para o seu povo.

A slava – Festa do Santo protetor - Toda criança cigana tem o santoprotetor escolhido por seus pais e avós, todos os anos é feito umagrande festa no dia do Santo protetor, em agradecimento e homenagem,este ritual é conhecido como Slava, convidamos os parentes e amigos.A festa começa ao meio dia, quando todos os convidados já estiverem nolocal, na Tsara. No centro da mesa são colocadas a imagem do Santo comuma vela, ofereceremos flores, poquatá (pão, uma broa), vinho, frutase incenso. Depois de acesa a vela começa a festividade, o pai e acriança giram o pão e dizem rezas de agradecimento, o avô, derrama,vinho em quatro partes do pão que são beijadas por pai e filho, o pãoé partido e recolocado na mesa, às dezoito horas renovam-se osagradecimentos (desta vez todos os convidados), fazem pedidos ao Santoapagam a vela e dividem o pão bento, enquanto comem fazem seus pedidosem segredo.Segredos dos Incensos:Meu Avô, O cigano Torres, além de grande moveleiro, era um mestre naarte de fazer incensos, dizia ele do poder dos incensos, que eramutilizado por diversos povos antes de Cristo. Tinham uma crença que afumaça os elevava e assim podiam se aproximar dos Deuses. Quandoalguém ia ao encontro do Criador (Dou-la), acendiam vários incensos,acreditando que a fumaça e o perfume elevavam a alma do falecido. Istonão é uma crença exclusiva dos ciganos, mas como povo sábio tem razão.Hoje vários espiritualistas utilizam incenso para purificar ambientes,abrir caminhos e harmonizar-se com o astral. Sabia o cigano Torres,muito sobre incensos, coisas que aprendera com os Sacerdotes e Bruxosde sua terra, e o que passo a vós agora, é uma das maiores herançasdeixadas por meu avô.Para se usar um incenso, identifique para que vai usar, assim terámelhores resultados. O mais querido por diversos povos é o vertical, a vareta porque se acreditam que a fumaça assim chega mais rápido ao astral. Nunca ao acender um incenso "assopre" para apagar, ao invés disto sacuda-o, com este gesto você espalha as propriedades astrais do mesmo. Não existe número certo de incensos para acender, mais três sendo o número da formação das pirâmides tem bastante força. Se quiser harmonizar um ambiente e pessoas, acenda, o número de varetas correspondentes com as pessoas. Acendendo um incenso em seu quarto antes de dormir, terá facilidade de bom sono.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Acampamento Cigano

Dando seguimento ao calendario de 2008 no Rio de Janeiro:
Ramona Torres e Liane de Luna
Convidam para :
Kumpania Romani (Acampamento Cigano em Itaipava)
Com Workshop sobre Diaspora Material e Espiritual do Povo Cigano, Reunião Festiva, Tradicional Roda Cigana, Rito do Sol, Estudos sobre os Mestres Ciganos Espirituais, Magias e Encantamentos.
Dias: 11 e 12 de Outubro/2008 - com Apostila
Informações: 021 2238 1522 / 021 9918 2638
ASSEGURE SUA PARTICIPAÇÃO JÁ!
PAGAMENTO PARCELADO.