terça-feira, 17 de março de 2009

Cigana Ilarim

Esta Cigana tem grande poder de dar seus recados da forma mais inusitada e quando um Cigano encarnado neste mundo dinâmico vive como gadjó e se afasta dos princípios espirituais da Raça Cigana, lá estará Ilarim conduzindo-o de volta ao ninho de forma que ninguém espera. Conheço uma cigana encarnada que sempre viveu de forma gadjó, sem nunca se desligar de seu lado espiritual, sem deixar também os aspectos religiosos de sua cultura. Um dia porém, atarefada demais com seu trabalho gadjó, de viajar pelo mundo (uma forma cigana de ser gadjó), começou a deixar de lado seus deveres espirituais, e a faltar nos encontros para as tradicionais festas de seu povo.
Sua vida pessoal andava meio de lado também devido à cobiça de se deixar levar por tanto trabalho. Passou a trabalhar quando não precisava, e mesmo quando não devia, sendo por fim a única coisa que fazia na vida. Até que um dia sua protetora (Ilarim), resolveu chamar e leva-la de volta à tenda. Estava ela na cidade de Fraiburgo (a capital da maçã brasileira) em Santa Catarina, uma cidade colonizada e habitada por alemãs e austríacos, gente alva e trabalhadeira. De repente quando entra num comércio para comprar maçãs desidratadas, vem ao seu encontro uma linda cigana sozinha, balzaquiana, pequena, morena de lindos cabelos negros e olhos de jabuticaba, se dirige a ela e diz: - Estava com saudades, compre para mim um maço de cigarros (escolhe o mais caro, um tipo importado) e me dê de presente um licor (tipo amarulla, bem suave). Sua vida de amor anda mal, também você só trabalha! Olhe para você, sua pele cansada, já esquecestes de quem você é?
Vou te dar esta pulseira, volte para sua casa, y picibar, yo ke jellante, camepe su rom ke mapilém! (e faça amor, seja amante, seu marido te ama, ele é viril!). Sai da loja com o maço de cigarros e o licor, deixando a ciganinha incrédula com a pulseira na mão. Rapidamente volta ao hotel em que esta hospedada e indaga sobre onde ficam os moram os ciganos dali, ouve mais incrédula ainda a informação de que nunca param ciganos na cidade!
Ela aperta a pulseira no bolso e volta para casa, quando chega seu marido parece que a vê diferente, como se fosse uma rainha, cobrindo-a de mimos e cuidados. Tudo fica bem, ela diminui o seu ritmo e volta para os deveres da Raça, de longe Ilarim sorri e comenta com Artêmio: - Não te disse que a traria do meu jeitinho? Bom a pulseira a cigana guarda como um valioso talismã até hoje.

Um comentário:

nagela disse...

eu amOoO a ILARIM
e sempre falo com ela!!!