domingo, 13 de junho de 2010

Portugal em mim!

Castelo dos Mouros
       Ontem fui a Sintra. Primeiramente subi as longas estradas de serra que da acesso ao, dos mais belos lugares que a presença dos ciganos já pode ver, pode pisar com toda a intrepitude dos apaixonados. Senti como uma terra minha, que esta em mim, foi preciso sim, peregrinar por todos os recantos tradicionais onde passaram os meus ancestrais.
        Estive no meu Portugal, cheio de histórias de feitiçaria, como a ver com graça um mármore raiado daqueles que somente em Sintra se pode ver.
       Ao chegar, na noite alta, um cálice de conhacque, como tomamos nos acampamentos para fugir do frio lusitano. Depois um copo alto de água fresca. Fui a Sintra despertar olhares, longos e pertubados com a minha presença. Tao alta, a cigana de botas, toda vestida de encarnado, visto quando foi tirado o sobretudo. As pulseiras fazendo barulho...... coisa de ciganos.........
       Ainda na noite fria observei, que minha alma passava como eu fazia em criança, andando com as saias esvoaçantes pelos centiares, onde eu mesma fui pela manha, revi os paredões de pedra, onde eu acreditava morar Arangelou-dã. Coisas de menina, impressionada, com a mula sem cabeça, o lobisomem, o saci que roubava as tsaras....... custei a entender que era o dinheiro gasto sem permissão dos maridos.....
        Parecia que estavam la, Cruges – o Maestro, Carlos, Alencar, e que a fumaça do pafeito subia entre as combinações que dariam rumo  a toda kumpania. Um tela sublime.
       Pela manha, fui até a querida Quinta da Regaleira, onde nos meus sonhos “avrasileirados”, acreditava que Carvalho Monteiro havia feito o poço iniciatico, a pedido dos reis, para la, jogarem os ciganos................. Depois de muito tempo, quando eu já nao era uma djulli, vi o que representavam os símbolos mitológicos, esotéricos, os deuses, jardins e grutas, um mundo a ser descoberto.............Fantastico!
        No Palácio da Pena, logo vi (descobri) porque os Evorianos apaixonados de pouco, mudavam para Sintra, tantos Jardins, Lagos, Fontes e Mansões, que traziam a inspiração para nossas danças, magias e nossa clientela de mulheres que sofriam do mesmo mal de amor, que nos afligia! Ha Pena! Pena do nome do Palácio, pena das pessoas que no frio portugues não tem com quem se aquecer!
       E vi tambem porque nos idos de Dom Fernando de Saxe-Coburgo, tinha tanta paixao que saltava dos olhos negros das ciganas, que tanto magiavam, quanto amavam.
        Lembrei das queixadas de leite, tão amadas pelos sintrenses e por toda a terra dos descobridores das Indias, donos de uma gastronomia que enlouquece hoje qualquer cardiologista, lembrei dos seus porques.  Onde as moças aprendiam com as romies a colocar um ingrediente totalmente humano, feminino e secreto, mas que enfeitiçava o homem amado e que era servida só pra ele, na boca!
        A subida pelas ladeiras, o ar puro, as quintas tão visitadas das Consuelos e Judiths, no caminho do Castelão dos Mouros, que faziam e fazem a alegria masculina de Sintra e garante o ar amoroso, que sustenta o funcionamento das Ofisas.
         No Castelo dos Mouros com suas diversas muralhas e fortes, onde pisei, tambem vestida de vermelho, em outra época, marca a presença arabe que tanto se ve na Europa, na Árzua espanhola dos ciganos, na Praça do Giraldo, na Balada das Bicicletas em Leiria, enfim em tudo e principalmente nos olhos quentes e apaixonados das ciganas.
       É ontem quando desci aos centiares, vestida de vermelho, com minhas saias, com meus cabelos negros aos ventos, vi que sou cigana, que tenho sangue quente, que sou feiticeira. Percebi no olho da pessoa, encanto, paixão e um certo temor de se perder naqueles cabelos.......... Não pude evitar, afinal Sintra é feita para os amantes! E que debaixo do céu lusitano, tem que haver suspiros de paixão, de amor, de saudade, pois só este ingrediente é que move o mundo!


Escrito regado a vinho da Quinta dos Amores, em Paredes/PT, nas conversas com Titi Rosário.

4 comentários:

La Negra disse...

Da sua pena realmente saem tesouros!

Ramona Torres disse...

Que bom que gostates, fico feliz, escrevo com o que os tempos me oferecem. bjs
Ramona.

Jeanne disse...

Lindíssimo, por essa e por outras deves ser escritora e não deixem dizer o contrário. bjkas!!!

Ramona Torres disse...

gratissima Je! bjks.